Julho
The Gilda Stories, de Jewelle Gomez (1991)
The Gilda Stories é uma obra seminal da ficção especulativa e da literatura feminista que reimagina o mito do vampiro como um espaço de cuidado, comunidade e resistência. A narrativa acompanha Gilda, uma jovem mulher negra que foge da escravatura no sul dos Estados Unidos do século XIX e é acolhida por uma vampira que lhe oferece não apenas a imortalidade, mas uma nova forma de existir fora das estruturas de violência que moldaram a sua vida. Ao longo de mais de dois séculos, seguimos o seu percurso através de diferentes épocas e comunidades marginalizadas.
Profundamente político e, ao mesmo tempo, intimista, o romance questiona o que significa viver de forma ética num mundo marcado pela opressão. Aqui, a imortalidade não surge como uma maldição romântica, mas como uma responsabilidade moral e uma oportunidade para imaginar outras formas de comunidade e de pertença.
Considerado um clássico da literatura queer e uma obra pioneira do afrofuturismo, The Gilda Stories continua a destacar-se pela forma singular como combina vampirismo, memória, identidade e esperança, oferecendo uma alternativa rara às representações tradicionais do género.
Trigger warnings: escravatura, violência racial, abuso físico e psicológico, morte, sangue, trauma histórico, discriminação de género e sexualidade.




