Tell me I'm Worthless livro de março

“Three years ago, Alice spent one night in an abandoned house with her friends, Ila and Hannah. Since then, Alice’s life has spiraled. She lives a haunted existence, selling videos of herself for money, going to parties she hates, drinking herself to sleep. Memories of that night torment Alice, but when Ila asks her to return to the House, to go past the KEEP OUT sign and over the sick earth where teenagers dare each other to venture, Alice knows she must go. Together, Alice and Ila must face the horrors that happened there, must pull themselves apart from the inside out, put their differences aside, and try to rescue Hannah, whom the House has chosen to make its own.”

É esta a sinopse do livro que escolhi. E a escolha deve-se ao facto de ser um livro que reimagina o género gótico, especificamente o sub-género da casa assombrada, para construir uma crítica mordaz, subversiva e bastante política da contemporaneidade. O foco da narrativa é a experiência queer, particularmente transgénero (Alison Rumfitt é uma autora transgénero) e sobre os horrores do real contemporâneo: questões de trauma, fascismo, transfobia, TERF (feminismo radical trans-excludente), entre outros.

É, ainda, um livro que estabelece algumas relações intertextuais, o que me faz imaginar que é uma obra que interroga a própria literatura e cultura. Sei que o faz com o livro Rebecca, de Daphne du Maurier (vou tentar ler este livro que tanta gente recomenda antes de março); com The Haunting of the Hill House, de Shirley Jackson; mas particularmente com o conto “The Bloody Chamber”, de Angela Carter (que também vou querer ler antes desta leitura).

O terror tem sido um género privilegiado pela comunidade literária LGBTQIA+, o que nãome parece surpreendente, tendo em conta a realidade da vivência queer e os contornos morais, éticos e políticos que se têm desenvolvido no contexto ocidental. Pelo que tenho lido, Tell Me I’m Worthless é dos títulos mais radicais no âmbito desta temática. Promete ser bastante perturbante. Mesmo! Cuidado com os trigger warnings (violência sexual, transfobia, racismo, anti-semitismo, body horror, tortura, suicídio…).

Como deu para perceber, eu ainda não li o livro de Alison Rumfitt, mas encontra-se na minha TBR há imenso tempo. É uma leitura que aguardo com muita expectativa e fico muito feliz por ter a oportunidade de a fazer com vocês. Prevejo que a discussão não seja das mais consensuais, nem das mais confortáveis. Mas espero que alguns dos propósitos da literatura e do terror sejam cumpridos: que sejamos inquietades, incomodades e que nos questionemos a nós própries e ao mundo em que vivemos.

RIPer: Sandra Bettencourt.
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