The Ocean at the End of the Lane
Neil Gaiman (2013)
”Grown-ups don't look like grown-ups on the inside either. Outside, they're big and thoughtless and they always know what they're doing. Inside, they look just like they always have. Like they did when they were your age. Truth is, there aren't any grown-ups. Not one, in the whole wide world.
Ao voltar ao local onde vivera durante a infância para assistir a um funeral, o narrador desta estória, de quem nunca chegamos a saber o nome, reencontra um passado que há muito julgava esquecido.
De repente, vê-se novamente como o rapazinho de sete anos cujos amigos nunca chegaram a aparecer para a sua festa de aniversário e que, lá no fundo, nem se chegou a importar muito com isso porque já nessa altura adivinhava uma verdade tão curiosa quanto assustadora: “books were safer than other people anyway”. As imagens que guardara dentro de si voltam à tona, e trazem consigo sensações que julgava esquecidas para sempre: umas felizes, é certo, mas outras sufocantes e perturbadoras.
(um livro de crianças, dir-me-ão. talvez o seja. mas eu acrescentaria: um livro de crianças, escrito para adultos)
Para quem não me reconhece pelo nome, mas já participou de alguma tertúlia do R.I.P., identificar-me é fácil: eu sou aquela que chega sempre acompanhada de uma criança de quatro-anos-e-meio-quase-cinco (segundo a descrição da própria), a Beatriz.
Ilustração tenta representar a obra e a RIPer que a escolheu.
E, no fundo, a Beatriz é precisamente o motivo pelo qual não tive grandes dúvidas sobre o título que haveria de escolher para vos propor. Porque, para além de tudo o resto, ou mais do que tudo o resto, “The Ocean at the End of the Lane” é uma fábula sobre a infância; sobre aquela inocência e pureza que raramente conseguimos reencontrar, mas que eu tenho tido a sorte de poder rever nela; e sobre a profundidade com que nos marcam esses primeiros anos de vida em que tudo é visto com um olhar diferente.
E, já agora, porque o Neil Gaiman é um exímio contador de estórias; e é assim que eu quero que a Beatriz cresça: rodeada de livros, e de estórias que a comovam e a façam sonhar.
Este livro é, por isso, a minha forma de vos agradecer por a deixarem entrar nesta aventura que é o R.I.P. Horror Book Club. Espero que gostem dele tanto quanto eu.
R.I.P.er: Frankie.



